Como tomar Viagra corretamente

O Viagra é um dos medicamentos mais conhecidos no mundo para o tratamento da disfunção erétil — a dificuldade de obter ou manter uma ereção suficiente para uma relação sexual satisfatória. O seu princípio ativo é o citrato de sildenafila, uma substância que actua relaxando a musculatura dos vasos sanguíneos e aumentando o fluxo de sangue para o pênis, desde que exista estímulo sexual. Disponível em comprimidos revestidos de 25, 50 e 100 mg, este medicamento deve ser utilizado com aconselhamento de um profissional de saúde. Em Portugal, a dose de 50 mg pode ser dispensada em farmácia sem receita médica, mediante avaliação pelo farmacêutico.
Saber como tomar Viagra da forma correcta é essencial para garantir não só a sua eficácia, mas também a segurança de quem o usa!
Como tomar Viagra
Para otimizar a eficácia do Viagra, o comprimido deve ser engolido inteiro com um copo cheio de água; não esmague, parta nem mastigue o medicamento, pois isso pode interferir na absorção controlada do revestimento do comprimido. Ou seja, os comprimidos revestidos devem ser ingeridos inteiros. Ademais:
- O medicamento pode ser tomado com ou sem alimentos, embora refeições muito ricas em gorduras possam atrasar o início da sua acção;
- O ideal é tomar Viagra entre 30 a 60 minutos antes da relação sexual, uma vez que é esse o intervalo necessário para que o citrato de sildenafila seja absorvido e comece a actuar. Em alguns casos, o efeito pode surgir em cerca de 12 minutos, mas o recomendado é não se precipitar;
- Evite consumir álcool em excesso antes ou durante a utilização do medicamento, pois tanto o álcool como o sildenafil são vasodilatadores, e a combinação pode provocar uma descida brusca da pressão arterial, com tonturas ou sensação de desmaio;
- Não deve tomar mais do que um comprimido de Viagra por dia, independentemente da dosagem.
É importante referir que o Viagra não provoca ereção espontânea. O estímulo sexual é absolutamente necessário para que o medicamento funcione. Sem excitação sexual, o princípio ativo não produz qualquer efeito.
Dosagem recomendada para tomar Viagra
A dose correcta para tomar Viagra varia de pessoa para pessoa, dependendo da saúde geral, da resposta ao medicamento e de outros tratamentos em curso. É sempre o médico quem define a dose mais adequada. No geral:
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Dosagem |
Indicação |
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25 mg |
Dose mínima; recomendada para idosos (acima dos 65 anos), pessoas com insuficiência renal grave ou hepática, ou em uso de inibidores do CYP3A4 |
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50 mg |
Dose inicial padrão para a maioria dos utilizadores adultos |
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100 mg |
Dose máxima; indicada quando as doses inferiores se revelam insuficientes |
Segundo as orientações do resumo das características do medicamento, a dose padrão é de 50 mg, tomada aproximadamente uma hora antes da atividade sexual.
- Com base na eficácia e tolerância, o médico pode aumentar para 100 mg ou reduzir para 25 mg;
- Em doentes idosos, o metabolismo do sildenafil é mais lento e, por isso, a dose inicial recomendada é de 25 mg. O mesmo se aplica a pessoas com problemas hepáticos ou insuficiência renal grave.
Nunca aumente a dose por iniciativa própria, sendo o médico quem faz esse ajuste, com base na sua resposta ao tratamento.
Quanto tempo o Viagra demora para fazer efeito?
Em média, o Viagra começa a actuar entre 30 e 60 minutos após a ingestão. Nalgumas pessoas, os primeiros efeitos podem surgir em apenas 12 minutos. A duração da ação situa-se habitualmente entre 4 a 6 horas, sendo mais intensa nas primeiras horas após a toma.
Se após uma hora ainda não sentir qualquer efeito, não tome outro comprimido. A ausência de resposta pode dever-se a um nível insuficiente de excitação sexual, à alimentação ou a uma dose que precisa de ser ajustada pelo médico.
O que evitar ao tomar Viagra?
Para garantir a segurança do tratamento da disfunção erétil com Viagra, há substâncias e situações que devem ser evitadas:
- Nitratos: esta é a interacção mais perigosa. Os nitratos, usados no tratamento de doenças cardíacas como a angina, actuam dilatando os vasos sanguíneos, tal como o sildenafil. A combinação dos dois pode causar uma queda súbita e grave da pressão arterial, com risco de desmaio, enfarte ou acidente vascular cerebral. A sua co-administração é uma contraindicação absoluta;
- Álcool em excesso: o álcool reduz a eficácia do Viagra e potencia os seus efeitos secundários, nomeadamente tonturas e dores de cabeça. Evite consumir bebidas alcoólicas em quantidade antes ou durante o uso do medicamento;
- Outros medicamentos para a disfunção erétil: nunca combine Viagra com tadalafila, vardenafil ou outros inibidores da PDE5 no mesmo intervalo de 24 horas;
- Sumo de toranja: o sumo de toranja pode interferir com as enzimas hepáticas responsáveis pelo metabolismo do sildenafil, aumentando a sua concentração no organismo e, consequentemente, o risco de efeitos secundários.
Nunca tome mais do que a dose prescrita. Se tomar inadvertidamente mais do que um comprimido num dia, contacte o seu médico ou dirija-se a uma urgência hospitalar.
Quem não deve tomar Viagra?
Existem grupos de pessoas para quem o uso do Viagra está contraindicado ou exige cuidados especiais:
- Pessoas com problemas cardíacos graves: os inibidores da PDE5 não são indicados para doentes com isquemia cardíaca activa, insuficiência cardíaca com baixo débito ou pressão arterial instável [1]. Se sofreu um enfarte, acidente vascular cerebral ou arritmia grave nos últimos seis meses, o seu médico provavelmente recomendará que evite o sildenafil;
- Utilizadores de nitratos e estimuladores de guanilato ciclase: a combinação com nitratos (como a nitroglicerina ou o mononitrato de isossorbida) é absolutamente contraindicada. O mesmo se aplica ao riociguat, usado no tratamento da hipertensão arterial pulmonar;
- Pessoas com pressão baixa (hipotensão): a pressão arterial inferior a 90/50 mmHg é uma contraindicação formal para o uso de Viagra;
- Doenças oculares raras: doentes com retinite pigmentosa ou neuropatia óptica isquémica anterior não arterítica (NAION) apresentam maior risco de problemas visuais com o uso de sildenafil;
- Problemas hepáticos ou renais graves: estes doentes devem usar doses reduzidas e sob vigilância médica mais apertada;
Mulheres, crianças e adolescentes: o Viagra não está indicado para mulheres, crianças ou jovens com menos de 18 anos.
Efeitos colaterais possíveis

Como qualquer medicamento, o Viagra pode causar efeitos secundários. O estudo “Side-effect profile of sildenafil citrate (Viagra) in clinical practice” [2], realizado com 256 doentes numa prática universitária, identificou os seguintes efeitos adversos mais comuns:
- Rubor facial / ondas de calor — o efeito mais frequente, registado em cerca de 31% dos utilizadores;
- Dor de cabeça — ocorre em aproximadamente 25% dos casos;
- Congestão nasal — reportada por cerca de 19% dos doentes;
- Azia ou má digestão — presente em cerca de 10% dos utilizadores.
O mesmo estudo concluiu que os efeitos secundários têm uma relação directa com a dose: quanto maior a dose, maior a probabilidade de ocorrerem. Em todos os casos observados, as reacções foram leves e passageiras, e nenhum participante abandonou o estudo por causa da sua gravidade.
Os efeitos menos comuns associados ao uso do Viagra incluem tonturas, palpitações e hipotensão sintomática (pressão arterial baixa). Alguns utilizadores podem também sentir perturbações visuais, como a cianopsia, em que a visão adquire temporariamente uma tonalidade azulada. Em casos raros, mas graves, pode ocorrer priapismo — uma ereção dolorosa com duração superior a 4 horas que requer assistência médica imediata para evitar danos permanentes no tecido erétil do pénis [2].
Dicas para aumentar a eficácia do Viagra
Além de seguir as instruções médicas, há um conjunto de hábitos que podem potenciar os resultados do tratamento com Viagra:
- Tome na hora certa: o sildenafil actua melhor quando tomado entre 30 a 60 minutos antes da atividade sexual. Planear com alguma antecedência melhora a experiência;
- Prefira refeições leves: alimentos com alto teor de gordura atrasam a absorção do princípio ativo. Opte por uma refeição leve antes de tomar o comprimido;
- Limite o álcool: o consumo excessivo de bebidas alcoólicas é, por si só, uma causa de disfunção erétil e reduz a eficácia do medicamento;
- Crie um ambiente propício: o Viagra não actua sem estímulo sexual. Criar um ambiente relaxante e íntimo contribui para uma melhor resposta ao tratamento;
- Mantenha um estilo de vida saudável: a prática regular de exercício físico, a cessação do tabagismo e o controlo do peso contribuem para melhorar o desempenho sexual a longo prazo e aumentam a eficácia dos medicamentos para a disfunção erétil.
O estudo “Positive Effect of Counseling and Dose Adjustment in Patients with Erectile Dysfunction who Failed Treatment with Sildenafil” [3] demonstrou que homens que tinham abandonado o Viagra por falta de resultados obtiveram melhorias significativas após receberem orientação médica adequada e ajuste de dose para 100 mg. Assim, o acompanhamento por um profissional de saúde faz uma diferença real nos resultados.
O que acontece se tomar Viagra sem precisar?
O uso de Viagra por homens sem disfunção erétil é um fenómeno crescente, especialmente entre jovens, e representa um risco para a saúde. O estudo “Use of Sildenafil in young adults: a growing health problem” [4] alerta para os perigos desta prática: interacções medicamentosas potencialmente fatais, priapismo, problemas visuais e, em casos raros, perdas auditivas.
Entretanto, um dos riscos menos discutidos é o da dependência psicológica. Homens jovens que usam o Viagra sem necessidade clínica podem desenvolver um bloqueio psicológico. Ou seja, passam a acreditar que são incapazes de ter uma ereção sem o comprimido, criando uma dependência que não existia antes. Nalguns casos paradoxais, um homem sem qualquer problema erétil passa a vivenciá-lo precisamente por ter recorrido ao medicamento sem necessidade.
O que acontece se uma mulher tomar Viagra?
O Viagra não está autorizado para uso feminino e não deve ser tomado por mulheres. Embora o sildenafil aumente o fluxo sanguíneo para os genitais tanto em homens como em mulheres, este efeito não se traduz necessariamente em maior prazer ou resolução de problemas de desejo sexual no caso feminino.
A excitação feminina envolve mecanismos mais complexos do que a excitação masculina, onde a ereção é o sinal directo de resposta. Em mulheres, a dificuldade mais comum não está relacionada com o fluxo sanguíneo, mas com factores emocionais, hormonais e relacionais que um vasodilatador não consegue resolver.
Perguntas frequentes
Para esclarecer as dúvidas sobre como tomar Viagra, reunimos abaixo um conjunto de perguntas frequentes com respostas baseadas em evidência e orientação clínica.
Preciso de receita médica para comprar Viagra em Portugal?
Em Portugal, o INFARMED autorizou a venda de Viagra sem receita médica nas farmácias comunitárias, mas apenas para a dosagem de 50 mg. Esta dispensa está regulamentada pelo Protocolo de Dispensa Exclusiva em Farmácia (EF) e realiza-se sempre com a supervisão de um farmacêutico. Para as dosagens de 25 mg e 100 mg, continua a ser necessária prescrição médica.
Importa esclarecer que comprar Viagra sem receita online não é equivalente a esta dispensa em farmácia. A aquisição de medicamentos deve ser feita apenas através de canais autorizados, como farmácias registadas, garantindo a segurança e autenticidade do produto.
Posso tomar Viagra ocasionalmente ou apenas em casos específicos?
Sim. O Viagra pode ser tomado “em demanda”, ou seja, apenas quando necessário, uma hora antes da relação sexual. Não é necessário tomar o medicamento diariamente, ao contrário do que acontece com algumas formulações de tadalafila. A decisão sobre a frequência de uso deve ser tomada com orientação médica.
O Viagra pode perder o efeito com o tempo?
Em alguns homens, o efeito do Viagra pode parecer menor com o uso repetido, o que frequentemente está relacionado com a progressão da causa subjacente da disfunção erétil, e não com uma tolerância farmacológica. O ajuste da dose (ou a mudança para outra molécula) pode ser eficaz nestes casos.
O Viagra funciona em homens jovens?
O Viagra pode ser eficaz em casos de disfunção erétil em jovens, sobretudo quando existe uma causa orgânica (como diabetes ou lesões medulares). No entanto, em casos de origem psicológica, como ansiedade de desempenho ou inexperiência, a terapia comportamental com um sexólogo pode ser mais eficaz e não acarreta os riscos do uso medicamentoso.
O Viagra pode causar dependência?
Não existe dependência física ao Viagra. Contudo, como já referido, pode desenvolver-se uma dependência psicológica, especialmente em homens jovens que o utilizam sem necessidade clínica. Este bloqueio pode tornar a ereção aparentemente impossível sem o medicamento, mesmo em situações em que anteriormente não havia qualquer dificuldade.
Existe alternativa ao Viagra se ele não funcionar?
Sim. Existem outras opções para o tratamento da disfunção erétil caso o Viagra não produza os resultados esperados. Além disso, muitos homens procuram saber como aumentar a circulação peniana, já que este é um dos principais fatores envolvidos na ereção. Nesse contexto, diferentes abordagens terapêuticas podem ser consideradas:
- Tadalafila (Cialis): inibidor da PDE5 com duração de acção até 36 horas, o que oferece maior flexibilidade. É também uma das opções mais procuradas por quem pesquisa por “Cialis comprar online”, sendo importante garantir que a aquisição é feita apenas através de farmácias autorizadas;
- Vardenafil (Levitra): indicado para homens que não respondem bem ao sildenafil;
- Avanafil (Spedra): acção mais rápida, geralmente em 15 a 30 minutos;
- Alprostadil: disponível em injecção intracavernosa ou supositório intrauretral, actua directamente nos vasos sanguíneos do pênis e é uma opção quando os medicamentos orais não são eficazes.
Em todo o caso, a escolha da alternativa mais adequada deve ser feita com o apoio do médico, após avaliação clínica individualizada.
Referências:
[1] Alpert JS. Viagra: the risks of recreational use. Am J Med. 2005;118(6):569-570. Disponível em: https://www.amjmed.com/article/S0002-9343(05)00257-3/fulltext
[2] Moreira SG, Brannigan RE, Spitz A, Orejuela FJ, Lipshultz LI, Kim ED. Side-effect profile of sildenafil citrate (Viagra) in clinical practice. Urology. 2000;56(3):474-476. doi:10.1016/S0090-4295(00)00649-X
[3] Gruenwald I, Shenfeld O, Chen J, Raviv G, Richter S, Cohen A, Vardi Y. Positive effect of counseling and dose adjustment in patients with erectile dysfunction who failed treatment with sildenafil. Eur Urol. 2006;50(1):134-140. doi:10.1016/j.eururo.2006.01.042.
[4] Wanjari M, Late S. Use of sildenafil in young adults: a growing health problem. Pan Afr Med J. 2023;44:113. doi:10.11604/pamj.2023.44.113.39168.