O que é o Mounjaro (tirzepatida)
O Mounjaro é um medicamento injetável semanal com a substância ativa tirzepatida, autorizado na União Europeia desde 15 de setembro de 2022. Usa-se com dieta e exercício físico para tratar a diabetes tipo 2 e para ajudar adultos com obesidade ou excesso de peso a perder peso [1].
É apresentado em canetas pré-cheias, na forma de caneta de dose única ou de KwikPen multidose. Na diabetes mellitus tipo 2, destina-se a quem não tem a doença adequadamente controlada; no controlo de peso, a adultos com obesidade ou com excesso de peso acompanhado de problemas de saúde associados.
Entre essas comorbilidades contam-se a diabetes, os níveis elevados de gordura no sangue, a pressão arterial elevada, a doença cardiovascular e a apneia obstrutiva do sono.
Tirzepatida: o princípio ativo do Mounjaro
A tirzepatida é a substância ativa do Mounjaro, comercializado na Europa pela farmacêutica Eli Lilly. É o primeiro agonista duplo dos recetores GIP e GLP-1, administrado por injeção subcutânea uma vez por semana no tratamento da diabetes tipo 2 e no tratamento para emagrecer [2].
A molécula ativa dois recetores em simultâneo: o do péptido-1 semelhante ao glucagon (GLP-1) e o do polipéptido insulinotrópico dependente da glucose (GIP). Ambos existem nas células pancreáticas, no intestino e nas regiões cerebrais que regulam o apetite, e o do GIP também nos adipócitos.
Desta dupla ação resultam efeitos complementares no metabolismo: aumenta a secreção de insulina de forma dependente da glucose, melhora a sensibilidade à insulina, reduz o glucagon e atrasa o esvaziamento gástrico. A ingestão calórica diminui, com mais saciedade e menos fome.
A periodicidade semanal resulta da estrutura da molécula: 39 aminoácidos com um grupo diácido gordo C20 que se liga à albumina e prolonga a semivida de eliminação para cerca de cinco dias.
Resultados dos estudos clínicos
Os ensaios clínicos de fase 3 da tirzepatida cobrem duas áreas: o programa SURPASS, na diabetes tipo 2, e o SURMOUNT, no controlo de peso. Em ambos, a tirzepatida superou o placebo e os comparadores ativos nos objetivos principais, com um efeito dependente da dose [2]. Foram estes dados que sustentaram a aprovação europeia.
No SURPASS-2, a dose de 15 mg reduziu a HbA1c em 2,30 pontos percentuais às 40 semanas, contra 1,86 com semaglutido 1 mg, e o peso corporal em 12,4 kg, contra 6,2 kg.
No controlo de peso, o estudo de referência é o SURMOUNT-1, que acompanhou 2539 adultos sem diabetes durante 72 semanas [3]. A perda de peso média foi de 16,0% com 5 mg, 21,4% com 10 mg e 22,5% com 15 mg, contra 2,4% no placebo.
Com a dose máxima, 78,2% dos participantes perderam pelo menos 15% do peso inicial, sobretudo à custa de massa gorda e não de massa magra. Em adultos que já tinham diabetes tipo 2, o SURMOUNT-2 obteve reduções de 13,4% com 10 mg e 15,7% com 15 mg [4].
Os participantes com pré-diabetes foram seguidos até às 176 semanas: 1,2% progrediram para diabetes tipo 2, contra 12,6% no placebo. A manutenção do resultado depende da continuidade do tratamento.
Como tomar o Mounjaro: doses e administração
O tratamento começa em 2,5 mg uma vez por semana durante quatro semanas e sobe depois para 5 mg. Se necessário, aumenta em incrementos de 2,5 mg, com pelo menos quatro semanas entre subidas. As dosagens de manutenção recomendadas são 5 mg, 10 mg e 15 mg [2].
A administração é subcutânea, no abdómen, na coxa ou na parte superior do braço. Os locais devem ser alternados a cada utilização e, em quem faz também insulina, o Mounjaro deve ser injetado num local diferente.
A dose pode ser administrada a qualquer hora do dia, com ou sem refeições, mantendo sempre o mesmo dia da semana. Se for esquecida, pode ser administrada nos quatro dias seguintes; passado esse prazo, é omitida e o tratamento retomado no dia habitual, sem duplicar a dose.
O dia da semana pode mudar, desde que decorram pelo menos três dias entre administrações. Em associação a metformina ou a um inibidor do SGLT2, a dose destes mantém-se; com sulfonilureia ou insulina, o médico pode reduzi-la para diminuir o risco de hipoglicemia.
Quem pode receber prescrição de Mounjaro em Portugal
Na União Europeia, a tirzepatida está aprovada para a diabetes mellitus tipo 2 em adultos, adolescentes e crianças a partir dos 10 anos, e para o controlo de peso em adultos com índice de massa corporal igual ou superior a 30 kg/m² ou entre 27 e 30 kg/m² com pelo menos uma comorbilidade associada ao peso, sempre com dieta hipocalórica e aumento da atividade física [2].
Entre as comorbilidades qualificantes contam-se a hipertensão, a dislipidemia, a apneia obstrutiva do sono, a doença cardiovascular, a pré-diabetes e a diabetes tipo 2.
A apneia obstrutiva do sono não constitui indicação autónoma. Em dezembro de 2024, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) avaliou um pedido nesse sentido e o CHMP entendeu que estes pacientes já estão abrangidos pela indicação de controlo de peso [6].
Não é necessário ajustar a dose por idade, sexo, peso corporal ou compromisso renal ou hepático, com precaução nos casos graves e na doença renal em estado terminal, onde a experiência clínica é limitada.
O medicamento está contraindicado em caso de hipersensibilidade à tirzepatida, e o RCM assinala precauções na história de pancreatite, na doença gastrointestinal grave e na retinopatia diabética, além de não recomendar o uso durante a gravidez.
Em Portugal não existem critérios de elegibilidade distintos dos aprovados pela EMA. A decisão cabe ao médico, que avalia o quadro clínico e a medicação em curso antes de emitir a receita.
Onde comprar Mounjaro em Portugal
Comprar Mounjaro em Portugal exige receita médica válida, e o medicamento só pode ser dispensado em farmácia. A entrega ao domicílio de medicamentos sujeitos a receita médica só pode ser assegurada por uma farmácia, e apenas as registadas no Infarmed podem receber encomendas através da internet [10].
Antes de fazer uma encomenda, há uma verificação simples. As farmácias registadas para dispensa à distância exibem o logótipo comum europeu, obrigatório desde 1 de julho de 2015; ao clicar nele, o utilizador tem acesso à lista oficial de entidades licenciadas e deve confirmar que o site consta do registo. Se o logótipo não existir, ou não conduzir a essa listagem, o site não está licenciado.
Estar sediado em Portugal ou apresentar-se em português não é garantia de legalidade: a listagem do Infarmed é o único meio fiável de confirmação. O levantamento presencial em farmácia comunitária continua a ser a via mais direta, embora a disponibilidade das várias dosagens possa variar.
Mounjaro: preço em Portugal por dosagem
O preço do Mounjaro em Portugal varia entre 182,92 € e 430,46 € por caneta KwikPen, conforme a dosagem, segundo o Infomed [11]. Como cada KwikPen contém quatro doses semanais, esse PVP corresponde a cerca de um mês de tratamento, com valores que variam entre farmácias.
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Dosagem |
Faixas de preço do Mounjaro (1 KwikPen + agulhas) |
|---|---|
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2,5 mg |
200-230 € |
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5 mg |
270-300 € |
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7,5 mg |
350-400 € |
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10 mg |
330-380 € |
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12,5 mg |
430-480 € |
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15 mg |
440-490 € |
A evolução do tratamento explica a diferença entre as fases. Nos primeiros meses, com doses de 2,5 mg e 5 mg, o custo mensal do Mounjaro varia entre 210 € e 280 €; durante a fase de manutenção, com doses de 10 mg, 12,5 mg ou 15 mg, esse custo sobe para entre 330 € e 450 €.
As embalagens de três canetas Mounjaro KwikPen reduzem o custo por caneta: cerca de 750 € para a dose de 5 mg, 900 € para a dose de 10 mg e 1 250 € para a dose de 15 mg. Numa base anual, o custo estimado varia entre cerca de 2 500 € e 5 400 €, dependendo da dose prescrita e do tempo de duração em cada nível de dosagem.
O Mounjaro não tem comparticipação pelo Serviço Nacional de Saúde, nem na diabetes tipo 2 nem no controlo de peso, pelo que o custo é integralmente suportado pelo utente e deve ser confirmado no momento da compra.
Riscos de comprar Mounjaro sem receita ou em sites não verificados
Comprar Mounjaro fora dos canais legais expõe o utilizador a produtos falsificados. Em setembro de 2025, a Agência Europeia de Medicamentos e as autoridades nacionais do medicamento alertaram para um aumento acentuado de medicamentos ilegais comercializados como agonistas do recetor GLP-1, incluindo a tirzepatida [12].
O conteúdo destes produtos é imprevisível: podem não conter a substância ativa declarada e conter outras substâncias em quantidades nocivas, o que expõe quem os utiliza a falha do tratamento, a problemas de saúde graves e a interações perigosas com outros medicamentos.
As autoridades identificaram centenas de perfis falsos e ofertas de comércio eletrónico alojadas fora da União Europeia, algumas a usar indevidamente logótipos oficiais. O Infarmed acrescenta que os medicamentos adquiridos junto de entidades não licenciadas são, na sua grande maioria, falsificados.
Sem prescrição não há avaliação clínica prévia, e o Mounjaro tem contraindicações, exige titulação gradual e interage com outros antidiabéticos. Iniciar o tratamento pressupõe consulta médica e compra numa farmácia legítima.
Mounjaro vs Wegovy vs Saxenda principais diferenças
Os três medicamentos diferem na substância ativa e no mecanismo. O Wegovy contém semaglutido e o Saxenda liraglutido, ambos agonistas do recetor GLP-1; o Mounjaro contém tirzepatida e é o único que atua também no recetor do GIP. Todos são sujeitos a receita médica [2, 13, 14].
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Mounjaro |
Wegovy |
Saxenda |
|---|---|---|---|
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Substância ativa |
Tirzepatida |
Semaglutido |
Liraglutido |
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Recetores |
GIP e GLP-1 |
GLP-1 |
GLP-1 |
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Administração |
Semanal |
Semanal |
Diária |
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Dispositivo |
Caneta pré-cheia de dose única ou KwikPen |
Caneta pré-cheia |
Caneta pré-cheia |
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Dose inicial |
2,5 mg/semana |
0,25 mg/semana |
0,6 mg/dia |
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Dose de manutenção |
5, 10 ou 15 mg/semana |
2,4 mg/semana |
3 mg/dia |
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Outras indicações |
Diabetes mellitus tipo 2 |
— |
— |
A indicação de controlo de peso é a mesma nos três, sempre associada a dieta hipocalórica e ao aumento da atividade física. O Mounjaro distingue-se por acumular a indicação de diabetes tipo 2, que o Wegovy e o Saxenda não têm.
Só um ensaio comparou diretamente a tirzepatida com o semaglutido na obesidade e no excesso de peso. No SURMOUNT-5, 751 adultos sem diabetes receberam um ou outro na dose máxima tolerada durante 72 semanas, com uma perda de peso média de 20,2% e de 13,7%, respetivamente.
Nos três, os efeitos adversos mais frequentes são gastrointestinais e concentram-se na fase de aumento da dose. A escolha entre as alternativas, inclusive comprar o Wegovy online, depende da avaliação médica do IMC inicial, das comorbilidades e da medicação em curso.
Efeitos secundários do Mounjaro
Os efeitos secundários mais frequentes do Mounjaro são gastrointestinais: náuseas, vómitos, diarreia, dor abdominal e obstipação. Podem afetar mais de uma em cada dez pessoas, são na maioria ligeiros a moderados, surgem pouco depois de cada aumento de dose e diminuem ao longo do tratamento [2].
Este perfil está bem caracterizado nos ensaios com e sem diabetes tipo 2 [8]. Uma meta-análise de dez estudos com 6836 participantes confirmou que a frequência destes efeitos acompanha a dose: 39% com 5 mg, 46% com 10 mg e 49% com 15 mg [7].
Fora do aparelho digestivo, os efeitos são menos comuns: fadiga, reações no local da injeção, tonturas, queda de cabelo e elevação da lipase e da amilase. A colelitíase, a colecistite e a pancreatite aguda são classificadas como pouco frequentes.
A hipoglicemia é frequente quando a tirzepatida é associada a uma sulfonilureia ou a insulina, e rara quando o medicamento é usado isoladamente.
Efeitos gastrointestinais mais frequentes e como minimizá-los
As náuseas são o efeito mais reportado, seguidas da diarreia, dos vómitos, da dor abdominal e da obstipação [2, 7]. Nos ensaios de controlo de peso, as náuseas afetaram entre 24,6% e 33,3% dos doentes conforme a dose, contra 9,5% no grupo placebo, e foram na maioria ligeiras ou moderadas [2].
A titulação gradual é a principal medida de tolerância: subir 2,5 mg de cada vez, com pelo menos quatro semanas na mesma dose, permite ao organismo adaptar-se, e a incidência de náuseas, vómitos e diarreia diminui com o tempo de tratamento. Quando os sintomas persistem, o médico pode prolongar o tempo numa dose antes de avançar.
Convém manter uma boa hidratação. O RCM alerta que os vómitos e a diarreia podem levar a desidratação e, nos casos mais graves, a deterioração da função renal, risco a que os idosos estão mais expostos [2]. Estes efeitos motivaram a descontinuação permanente do tratamento em 1,9% a 4,4% dos doentes nos estudos de controlo de peso, contra 0,5% no placebo, e a interrupção por efeitos adversos foi mais frequente com a dose de 15 mg.
Sinais de alerta que exigem contacto médico imediato
Alguns sintomas obrigam a suspender a administração e a contactar o médico. Dor abdominal intensa e persistente, sobretudo se irradiar para as costas e for acompanhada de vómitos, pode indicar pancreatite aguda, situação em que o tratamento deve ser interrompido e não reiniciado se o diagnóstico se confirmar [2].
Devem também motivar contacto imediato as reações de hipersensibilidade graves, incluindo urticária, erupção cutânea, angioedema ou reação anafilática, notificadas raramente após a comercialização [2]. Sinais de doença da vesícula biliar, como dor no quadrante superior direito do abdómen, febre ou icterícia, merecem avaliação, tal como episódios de hipoglicemia em quem faz também sulfonilureia ou insulina.
Há ainda uma situação a comunicar antecipadamente. Como a tirzepatida atrasa o esvaziamento gástrico, foram notificados casos de aspiração pulmonar em doentes submetidos a anestesia geral ou sedação profunda, pelo que o médico e o anestesista devem ser informados do tratamento antes de qualquer procedimento.
Mounjaro e álcool o que deve saber
O Resumo das Características do Medicamento não descreve qualquer interação entre a tirzepatida e o álcool, e o consumo de bebidas alcoólicas não é contraindicado durante o tratamento [2]. Isso não significa que seja indiferente: há duas razões para moderação, ambas indiretas.
A primeira é a tolerância digestiva. O álcool irrita a mucosa gástrica e pode agravar náuseas, vómitos e dor abdominal, sobretudo nas semanas seguintes a cada aumento de dose, que é quando estes efeitos são mais intensos [2, 6].
A segunda é o risco de hipoglicemia. O álcool interfere com a produção hepática de glucose, e quem faz tirzepatida em associação a uma sulfonilureia ou a insulina já parte de um risco acrescido de hipoglicemia. Nestes casos, a questão deve ser colocada ao médico assistente.
O que acontece se parar de tomar Mounjaro?
Parar o Mounjaro faz regressar o apetite e conduz, com o tempo, à recuperação de parte do peso perdido e à subida dos valores de glicemia. A obesidade e a diabetes tipo 2 são doenças crónicas, e o medicamento só produz efeito enquanto está a ser administrado [5, 9].
O SURMOUNT-4 mediu esse efeito diretamente. Depois de 36 semanas de tratamento, com uma redução média de peso de 20,9%, os participantes foram divididos entre continuar a tirzepatida ou passar a placebo durante mais 52 semanas. Quem manteve o tratamento perdeu mais 5,5%; quem passou a placebo recuperou, em média, 14,0% do peso [5].
Uma revisão sistemática publicada em 2026, que reuniu 37 estudos e 9341 adultos, chegou a números convergentes. Após a interrupção de medicamentos para o controlo de peso, a recuperação média é de 0,4 kg por mês, mas é mais rápida no caso do semaglutido e da tirzepatida, com 0,8 kg por mês e um regresso estimado ao peso inicial cerca de ano e meio depois de parar [9]. A mesma revisão observou que as melhorias na HbA1c, na glicemia em jejum, nos lípidos e na pressão arterial se atenuam progressivamente após a paragem [9].
Estes dados sustentam a leitura de que o tratamento da obesidade se pensa a longo prazo, com reavaliações periódicas, tal como acontece na hipertensão arterial ou na própria diabetes. A decisão de interromper deve ser tomada com o médico, que pode ponderar a manutenção do tratamento, a redução da dose ou uma alternativa, em função do resultado alcançado e da tolerância.
Armazenamento correto do Mounjaro
O Mounjaro deve ser conservado no frigorífico, entre 2 °C e 8 °C, e nunca congelado. As canetas de dose única devem manter-se na embalagem de origem para proteger da luz e podem permanecer fora do frigorífico até 21 dias cumulativos, a temperatura inferior a 30 °C [2].
Findo esse prazo, a caneta tem de ser eliminada, mesmo que não tenha sido utilizada. Os 21 dias são cumulativos, ou seja, contam todo o tempo em que o medicamento esteve fora do frio, e não apenas o último período [2].
Um medicamento que tenha congelado não pode ser usado, ainda que já tenha descongelado. Antes de cada administração, a caneta deve ser inspecionada visualmente: a solução é límpida e incolor a ligeiramente amarelada, e deve ser eliminada se apresentar partículas ou alteração de cor.
Como qualquer medicamento, o Mounjaro deve ser mantido fora da vista e do alcance das crianças, e as canetas usadas ou fora de prazo eliminadas de acordo com as regras locais, o que em Portugal significa entregá-las na farmácia.
Como conservar antes e depois de abrir a caneta
Antes da utilização, o prazo de validade é de dois anos e a conservação faz-se no frigorífico. O que muda depois de começar a usar depende da apresentação: as canetas de dose única destinam-se a uma única administração e são eliminadas logo a seguir, enquanto a caneta multidose KwikPen fornece quatro doses semanais e continua a ser utilizada durante esse período.
Depois da primeira utilização, a KwikPen deve ser conservada fora do frigorífico, a temperatura ambiente inferior a 30 °C, e tem de ser eliminada 30 dias após a primeira dose, mesmo que ainda contenha solução [2]. É normal restar uma pequena quantidade de medicamento no fim das quatro doses; essa solução não deve ser aproveitada .
Nas canetas de dose única não existe propriamente um "depois de abrir": a agulha está oculta e é introduzida automaticamente ao premir o botão de injeção, a dose é administrada de uma só vez e a caneta é descartada [2].

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Garvey, W. T., Frias, J. P., Jastreboff, A. M., le Roux, C. W., Sattar, N., Aizenberg, D., Mao, H., Zhang, S., Ahmad, N. N., Bunck, M. C., Benabbad, I., & Zhang, X. M. (2023). Tirzepatide once weekly for the treatment of obesity in people with type 2 diabetes (SURMOUNT-2): A double-blind, randomised, multicentre, placebo-controlled, phase 3 trial. The Lancet, 402(10402), 613–626. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(23)01200-X
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Aronne, L. J., Sattar, N., Horn, D. B., Bays, H. E., Wharton, S., Lin, W.-Y., Ahmad, N. N., Zhang, S., Liao, R., Bunck, M. C., Jouravskaya, I., & Murphy, M. A. (2024). Continued treatment with tirzepatide for maintenance of weight reduction in adults with obesity: The SURMOUNT-4 randomised clinical trial. JAMA, 331(1), 38–48. https://doi.org/10.1001/jama.2023.24945
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