O que é a Finasterida?
A Finasterida é um medicamento desenvolvido para conter a progressão da alopecia androgenética (a calvície de padrão masculino) e, numa dose mais elevada, para tratar a hiperplasia benigna da próstata (HBP).
Pertence ao grupo dos inibidores da enzima 5-alfa-redutase e, em Portugal, só pode ser comprada em farmácias mediante receita médica. Este medicamento destina-se exclusivamente a homens. Mulheres grávidas não devem tomar Finasterida nem manusear os comprimidos partidos ou esmagados, pelo risco de defeitos congénitos em fetos do sexo masculino.
A alopecia androgenética é a forma mais comum de queda de cabelo e resulta da predisposição genética associada a uma sensibilidade excessiva dos folículos capilares aos androgénios, levando à conversão progressiva de cabelo terminal em cabelo fino (vellus), sobretudo na zona frontal e no topo da cabeça [1].
Como é que a Finasterida funciona?
O mecanismo de ação da Finasterida está relacionado com a inibição preferencial da enzima 5-alfa-redutase de tipo II. Esta enzima participa na transformação da testosterona em DHT. Ao reduzir a formação de DHT, a Finasterida pode diminuir a influência desta hormona sobre os folículos capilares [1][2].
Na alopecia androgenética, tal processo pode ajudar a retardar a progressão da queda e a preservar os folículos que ainda permanecem ativos. No entanto, os estudos indicam que a resposta depende, entre outros fatores, da predisposição genética e da sensibilidade individual dos folículos à DHT [1, 3].
O papel da DHT na calvície masculina
A di-hidrotestosterona (DHT) é a hormona associada à miniaturização dos folículos capilares. Forma-se a partir da conversão da testosterona pela enzima 5-alfa-redutase e liga-se aos recetores androgénicos do couro cabeludo, encurtando a fase de crescimento do cabelo e prolongando o seu período de repouso [1].
Um estudo que avaliou os níveis séricos de DHT em pessoas com e sem alopecia androgenética não encontrou diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos, o que sugere que a sensibilidade genética individual dos folículos ao DHT pode pesar mais do que a concentração hormonal em circulação [3].
Quando começa a Finasterida a fazer efeito?
A Finasterida não produz resultados imediatos. O crescimento do cabelo é um processo gradual e os folículos atravessam diferentes fases ao longo do ciclo capilar. Por isso, é necessário manter uma toma regular durante vários meses para avaliar adequadamente a resposta ao tratamento.
Geralmente, são necessários 3 a 6 meses de toma diária antes de ser possível observar sinais de estabilização da queda de cabelo. As investigações sobre o tratamento da alopecia androgenética destacam ainda que uma intervenção precoce tende a proporcionar melhores resultados, embora a resposta possa variar entre pessoas [4]
Alguns fatores podem influenciar o início da ação:
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Reação individual: cada pessoa reage à Finasterida de forma diferente, havendo quem note melhorias mais rapidamente do que outras.
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Duração da toma: a eficácia do tratamento tende a aumentar com o tempo, pelo que é essencial tomar o comprimido diariamente, conforme indicado pelo médico.
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Ciclo de crescimento do cabelo: como as alterações no ciclo capilar se tornam visíveis de forma gradual, são necessários vários meses para avaliar adequadamente a resposta ao tratamento.
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Paciência e realismo: um efeito significativo pode demorar entre vários meses a um ano, ou mais, para se tornar percetível.
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Terapia de combinação: algumas pessoas associam a Finasterida a outros tratamentos capilares, o que pode acelerar os resultados, mas deve ser sempre feito sob acompanhamento médico.
Quanto tempo dura o efeito da Finasterida?
O benefício da Finasterida está associado à continuidade do tratamento. Enquanto a medicação inibe a 5-alfa-redutase e reduz os níveis de DHT, pode contribuir para controlar a progressão da alopecia androgenética. Quando o tratamento é interrompido, esse efeito deixa de ser mantido.
Os estudos descrevem uma recuperação gradual dos níveis de DHT após a suspensão da Finasterida e a retoma da progressão da queda de cabelo [1][2]. Assim, a duração do benefício não deve ser interpretada como um efeito permanente depois de terminado o tratamento.
O que acontece se parar de tomar Finasterida?
Se o tratamento com Finasterida for interrompido, os níveis de DHT tendem a voltar a subir dentro de poucas semanas e a progressão da queda de cabelo costuma retomar-se, com perda gradual dos ganhos obtidos nos meses seguintes [2]. Pesquisas mostram que o crescimento capilar estimulado pela Finasterida para praticamente dentro de cerca de doze meses após a suspensão da toma sistémica [1]. Por isso, a manutenção dos resultados depende, geralmente, da continuidade do tratamento, sempre sob orientação de um médico ou dermatologista.
Finasterida 1 mg ou 5 mg: qual a dose certa para a queda de cabelo?
A Finasterida está disponível, em Portugal, em diferentes doses, cada uma associada a uma condição distinta.
A Finasterida 1 mg é a dose aprovada e mais utilizada no tratamento da queda de cabelo em fases iniciais da alopecia androgenética, sendo tomada uma vez por dia. Esta dose é também comercializada sob a marca Propecia, uma das apresentações mais conhecidas (saiba como comprar Propecia online de forma segura).
Já a Finasterida 5 mg é, geralmente, prescrita para o tratamento da hiperplasia benigna da próstata e não para a perda de cabelo, ajudando a reduzir o volume prostático e a aliviar sintomas urinários como a retenção urinária e a dificuldade em iniciar a micção.
A dose adequada deve ser sempre determinada pelo médico. Não se deve aumentar a quantidade de medicamento por iniciativa própria com o objetivo de obter resultados mais rápidos.
Como se toma a Finasterida?
Os comprimidos de Finasterida tomam-se por via oral, devendo ser engolidos inteiros, sem esmagar nem partir. É recomendada a toma de um comprimido por dia, podendo ser feita com ou sem alimentos, de preferência sempre ao mesmo horário, para manter níveis constantes do medicamento no organismo. Em caso de esquecimento de uma dose, deve retomar-se a toma habitual no dia seguinte, sem duplicar a quantidade.
O que deve ter em conta, ao tomar Finasterida?
Antes de iniciar o tratamento, é importante informar o médico sobre outros medicamentos que esteja a utilizar e sobre antecedentes clínicos relevantes. A avaliação médica permite confirmar se a queda de cabelo é compatível com alopecia androgenética e se a Finasterida é uma opção adequada.
Ademais, os utentes devem comunicar de imediato o aparecimento de nódulos, dor ou alterações no tecido mamário, uma vez que, embora raro, existe um possível risco de cancro da mama masculino associado a alterações hormonais deste tipo [5].
Quais são os efeitos secundários da Finasterida?
Como qualquer medicamento, a Finasterida pode causar efeitos colaterais, embora estes não ocorram em todas as pessoas. Os efeitos indesejáveis incluem alterações da função sexual, como diminuição do desejo sexual, disfunção erétil e alterações da ejaculação [2, 6].
Foram também notificadas alterações do humor, incluindo humor depressivo e depressão. A ideação suicida foi reconhecida como um possível efeito secundário da Finasterida oral, embora a sua frequência não possa ser estimada com os dados disponíveis. Se estiver a tomar Finasterida 1 mg e desenvolver alterações do humor, interrompa o tratamento e procure aconselhamento médico. [7].
É importante que informe sempre o seu médico de todos os efeitos secundários sentidos, principalmente se estes persistirem ou se tornarem incómodos.
A síndrome pós-finasterida: o que se sabe?
A chamada síndrome pós-finasterida refere-se a relatos de sintomas que persistem depois da interrupção do tratamento, sobretudo alterações sexuais, psicológicas e neurológicas. O tema permanece controverso e a frequência, as causas e os mecanismos destes sintomas ainda não estão completamente estabelecidos [2, 6].
Uma revisão publicada na Nature Reviews Urology descreve relatos de sintomas persistentes num subgrupo de utilizadores e apresenta diferentes hipóteses para explicar este fenómeno, incluindo alterações no metabolismo de neuroesteroides. Os próprios autores salientam, contudo, que a etiologia permanece pouco clara e que são necessários estudos de maior qualidade [2].
Por outro lado, uma revisão sistemática anterior concluiu que os efeitos sexuais são, em muitos casos, reversíveis e destacou a existência de resultados contraditórios entre os estudos sobre disfunção sexual persistente [6].
Assim, os potenciais riscos devem ser discutidos individualmente com um profissional de saúde antes e durante o tratamento.
Alternativas à Finasterida e tratamentos combinados
Para além da Finasterida, existem outras soluções, farmacológicas e não farmacológicas, para abordar a queda de cabelo. O minoxidil tópico é a outra opção aprovada para o tratamento da alopecia androgenética e pode ser usado tanto por homens como por mulheres.
Existem ainda abordagens não medicamentosas, como a mesoterapia capilar, o plasma rico em plaquetas (PRP) ou a fotobiomodulação, que podem ser consideradas em casos que não respondam de forma satisfatória ao tratamento farmacológico isolado.
Pode a Finasterida ser combinada com outros tratamentos?
Sim. Uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados concluiu que a combinação de minoxidil tópico a 2% com Finasterida oral 1 mg apresenta resultados superiores, em termos de crescimento capilar, quando comparada com o uso isolado de qualquer um dos dois tratamentos [1].
Ainda assim, qualquer terapia de combinação deve ser sempre supervisionada por um médico ou dermatologista, uma vez que associar tratamentos pode também aumentar a probabilidade de efeitos secundários.
Como se deve armazenar a Finasterida?
Os comprimidos devem ser mantidos fora do alcance das crianças e dos animais de estimação, além de conservados à temperatura ambiente e protegidos da humidade e da luz.
Não deve utilizar o medicamento depois de ultrapassado o prazo de validade.
A Finasterida está disponível sem receita médica ou com receita médica, em Portugal?
Em Portugal, a Finasterida é um medicamento sujeito a receita médica, o que significa que só pode ser adquirida nas farmácias depois de uma consulta com um profissional de saúde qualificado. O médico avaliará a necessidade de tratamento, excluindo outras causas de queda de cabelo, e só depois passará a receita, se aplicável.
Vale ainda notar que, quando prescrita para a alopecia androgenética, a Finasterida não costuma estar comparticipada pelo Serviço Nacional de Saúde nem coberta pela maioria dos seguros de saúde privados, pelo que o custo do tratamento fica, em geral, a cargo do utente.
Quanto ao preço da Finasterida, este pode variar de acordo com a apresentação, a quantidade de comprimidos e o medicamento disponível nas farmácias.

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[1] Ntshingila S, Oputu O, Arowolo AT, Khumalo NP. Androgenetic alopecia: An update. JAAD Int. 2023;13:150-158. doi:10.1016/j.jdin.2023.07.005
[2] Leliefeld HHJ, Debruyne FMJ, Reisman Y. The post-finasteride syndrome: possible etiological mechanisms and symptoms. Int J Impot Res. 2025;37:414-421. doi:10.1038/s41443-023-00759-5
[3] Urysiak-Czubatka I, Kmieć ML, Broniarczyk-Dyła G. Assessment of the usefulness of dihydrotestosterone in the diagnostics of patients with androgenetic alopecia. Postepy Dermatol Alergol. 2014;31(4):207-215. doi:10.5114/pdia.2014.40925
[4] York K, Meah N, Bhoyrul B, Sinclair R. A review of the treatment of male pattern hair loss. Expert Opin Pharmacother. 2020;21(5):603-612. doi:10.1080/14656566.2020.1721463
[5] Índice Toda a Saúde. Finasterida. Índice Toda a Saúde [Internet]. [s.d.] [acesso em: 7 set. 2026]. Disponível em: https://www.indice.eu/pt/medicamentos/DCI/finasterida/informacao-geral
[6] Hirshburg JM, Kelsey PA, Therrien CA, Gavino AC, Reichenberg JS. Adverse Effects and Safety of 5-alpha Reductase Inhibitors (Finasteride, Dutasteride): A Systematic Review. J Clin Aesthet Dermatol. 2016;9(7):56-62. PMID:27672412; PMCID:PMC5023004. Disponível em: https://europepmc.org/article/PMC/5023004
[7] Infarmed - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde. Medidas para minimizar o risco de pensamentos suicidas aprovadas pelo CMDh: medicamentos contendo finasterida e dutasterida. Infarmed [Internet]. 2025 Jun 25 [acesso em: 7 set. 2026].