O que é o Propecia e para que serve?
O Propecia é um medicamento oral com finasterida 1 mg, indicado para a alopecia androgenética, conhecida como calvície de padrão masculino, em homens entre os 18 e os 41 anos. Estabiliza a queda de cabelo e, em alguns casos, favorece o recrescimento. [1] É sujeito a receita médica e não comparticipado em Portugal.
A alopecia androgenética é a causa mais comum de queda de cabelo nos homens. Segundo a estimativa de Hamilton, afeta 30% a 50% dos homens até aos 50 anos, com prevalência mais elevada em homens caucasianos [2].
Como funciona o Propecia na calvície masculina?
O Propecia contém finasterida 1 mg, que inibe a 5-alfa-redutase tipo 2, a enzima que converte a testosterona em di-hidrotestosterona (DHT). Com menos DHT no couro cabeludo, trava-se o encolhimento dos folículos capilares que está na origem da calvície de padrão masculino e da queda de cabelo.
Na alopecia androgênica, as zonas calvas do couro cabeludo têm folículos miniaturizados e mais DHT do que as zonas com cabelo [3]. Em homens com predisposição genética, esta hormona encurta a fase de crescimento em cada ciclo, e os fios ficam mais finos e curtos até deixarem de chegar à superfície.
A hereditariedade explica cerca de 80% dessa predisposição, e níveis normais de androgénios bastam para causar a queda [2].
A ação da finasterida tem características bem definidas:
- Inibe de forma seletiva a 5-alfa-redutase tipo 2, presente nos folículos capilares e responsável por cerca de dois terços da DHT em circulação.
- Reduz a DHT no sangue em 65% nas 24 horas seguintes a um comprimido de 1 mg.
- Não atua sobre o recetor de androgénios nem tem efeito antiandrogénico, estrogénico ou progestagénico.
- A testosterona em circulação sobe cerca de 10% a 15%, mas mantém-se dentro dos valores normais.
Efeito e dosagem do Propecia indicada para a calvície de padrão masculino
A dose do Propecia é de 1 mg de finasterida por dia, e doses mais altas não aumentam a eficácia. Em ensaios com homens entre os 18 e os 41 anos, 5 anos de tratamento estabilizaram a queda em 90% a 93% e aumentaram o crescimento capilar em 48% a 77%. [1]
A eficácia foi demonstrada em três ensaios com 1879 homens com queda ligeira a moderada no topo da cabeça (vértice) e na zona frontal média. Não foi estabelecida nas entradas laterais (recessão bitemporal) nem na calvície em fase avançada. Aos 5 anos, um painel independente comparou fotografias dos dois grupos:
- Propecia: 48% dos homens tiveram aumento de cabelo, 42% não tiveram alterações e 10% perderam cabelo.
- Placebo: 6% dos homens tiveram aumento de cabelo, 19% não tiveram alterações e 75% perderam cabelo.
- Pela contagem de cabelos, a diferença face ao placebo aumentou ao longo dos 5 anos, até 277 cabelos numa área de 5,1 cm².
Como e quando tomar o Propecia?
O Propecia toma-se por via oral, um comprimido por dia, com ou sem alimentos e sem interrupções. Deve começar nas fases iniciais da calvície, depois de o médico excluir outras causas de queda de cabelo. [3] Se o tratamento parar, os benefícios perdem-se em 9 a 12 meses.
O momento de início pesa no resultado. Quando os folículos de uma zona já miniaturizaram e perderam a ligação ao músculo eretor do pelo, a queda tende a ser irreversível. Nos ensaios clínicos, os homens que iniciaram o tratamento um ano mais tarde também ganharam cabelo, mas não alcançaram a contagem de quem começou logo.
Para manter a toma correta:
- Se falhar uma toma, não deve compensar com um comprimido extra, e a seguinte faz-se à hora habitual.
- O médico deve reavaliar periodicamente a eficácia do produto e a duração do tratamento.
Propecia e o crescimento do cabelo: o que esperar segundo os estudos clínicos?
Com o Propecia 1 mg, o resultado mais provável é travar a queda de cabelo e recuperar parte da densidade, sem reverter por completo a calvície de padrão masculino. Nos ensaios, a contagem de cabelos subiu cerca de 10% no primeiro ano e ficou acima do valor inicial aos 5 anos. [2]
Para avaliar o resultado, a comparação certa é com a evolução sem tratamento. Em homens que tomaram placebo durante 5 anos, a perda de cabelo de padrão masculino avançou de forma contínua, com uma redução de 26,3% na densidade capilar. [5]
Nos homens tratados com comprimidos de finasterida 1 mg, as melhorias mantiveram-se ao longo desse período e a progressão da queda abrandou. [6]
Uma revisão sistemática de 12 ensaios, com 3927 homens, confirmou este padrão com evidência de qualidade moderada [7]:
- O aumento médio da contagem de cabelos face ao placebo foi de 9,4% até aos 12 meses e de 24,3% a partir dos 24 meses.
- A longo prazo, por cada 3 a 4 homens tratados, um a mais do que no grupo placebo notou melhoria no próprio cabelo.
A mudança não se resume ao número de fios. Nos estudos, o peso do cabelo aumentou mais do que a contagem, o que indica fios mais compridos e mais grossos. A proporção de cabelos em fase de crescimento também subiu, de 62% para 68% em 48 semanas.
O produto atua apenas na alopecia androgenética e não tem efeito na queda de cabelo de origem autoimune, como a alopecia areata. [8]
Que conselhos de segurança seguir ao tomar Propecia?
Durante o tratamento com Propecia, deve parar os comprimidos e contactar o médico se notar alterações de humor, e procurar aconselhamento se surgirem problemas sexuais [9]. Deve ainda avisar o médico antes de uma análise ao PSA e evitar que mulheres grávidas manuseiem comprimidos partidos ou esmagados [1].
O cartão do doente incluído na embalagem dos comprimidos de Propecia 1 mg resume estas informações. Esta medida foi aprovada a nível europeu em 2025. Os cuidados a manter são estes:
- Perante humor depressivo, depressão ou pensamentos suicidas, deve parar o tratamento e contactar o médico o mais rapidamente possível.
- Menor desejo sexual, dificuldade de ereção ou alterações na ejaculação devem ser comunicados ao médico, porque podem contribuir para alterações de humor.
- Nódulos, dor, aumento de volume ou secreção pelo mamilo devem ser comunicados de imediato ao médico, porque foram notificados casos de cancro da mama em homens.
Mulheres grávidas ou que possam engravidar não devem tocar em comprimidos partidos ou esmagados. Em caso de contacto, a pele deve ser lavada de imediato com água e sabão.
O Propecia não afeta a capacidade de conduzir nem de utilizar máquinas.
Num estudo de 7 anos com homens a partir dos 55 anos, esta dose aumentou o risco de cancro da próstata de alto grau: 1,8% com finasterida e 1,1% com placebo. A relevância deste resultado para a dose de 1 mg é desconhecida.
Qualquer suspeita de reação adversa pode ser notificada ao Infarmed através do Portal RAM.
Quem pode e não pode tomar o Propecia?
O Propecia 1 mg destina-se a homens adultos com alopecia androgenética em fase inicial, e a eficácia foi estudada entre os 18 e os 41 anos. Não pode ser tomado por mulheres, por menores de 18 anos nem por quem tenha alergia à finasterida ou a outro componente dos comprimidos.
Nas mulheres, o produto está contraindicado pelo risco para o feto masculino. Num estudo com 137 mulheres pós-menopáusicas com queda de cabelo androgenética, 12 meses de tratamento não mostraram benefício [4]. Antes de começar, o médico deve conhecer as condições médicas do doente, sobretudo doenças do fígado e alergias [3]:
- Homens com 65 anos ou mais podem precisar de avaliação específica, porque os estudos de eficácia não incluíram esta faixa etária.
- Em caso de doença do fígado, é preciso cautela, porque a finasterida é metabolizada no fígado e o efeito da insuficiência hepática não foi estudado.
- Quem tem intolerância hereditária à galactose, deficiência total de lactase ou má absorção de glucose-galactose não deve tomar o medicamento, porque cada comprimido contém 110,4 mg de lactose.
A insuficiência renal não impede o tratamento nem obriga a ajustar a dose.
Efeitos secundários do Propecia
Os efeitos secundários mais descritos do Propecia são a diminuição da libido, a disfunção erétil e as alterações da ejaculação, que são pouco frequentes. A finasterida em comprimidos pode também causar depressão e, com frequência desconhecida, pensamentos suicidas, sobretudo relatados em homens tratados para a queda de cabelo [9].
Nos primeiros 12 meses dos ensaios clínicos, 3,8% dos homens tratados com finasterida relataram efeitos adversos sexuais relacionados com o medicamento, em comparação com 2,1% no grupo placebo. Nos quatro anos seguintes, a incidência destes efeitos diminuiu para ≤0,3%. [3].
Com frequência desconhecida, foram também notificados:
- reações alérgicas, como erupção na pele, comichão, urticária ou inchaço dos lábios, língua, garganta e face;
- ansiedade e palpitações;
- aumento das enzimas do fígado;
- sensibilidade ou aumento da mama, dor nos testículos e sangue no esperma;
- infertilidade ou má qualidade do sémen, com normalização ou melhoria após parar o tratamento;
- disfunção sexual que persiste depois de parar o tratamento;
- cancro da mama no homem.
Na comunicação EMA/PRAC de 2025, foram identificados 313 casos de pensamentos suicidas notificados com finasterida, para uma exposição estimada de cerca de 270 milhões de doentes-ano. O comité de farmacovigilância da EMA concluiu que os benefícios continuam a superar os riscos em todas as utilizações aprovadas.
O Propecia causa queda de cabelo no início do tratamento?
A queda de cabelo não consta dos efeitos indesejáveis do Propecia 1 mg. A queda temporária no início do tratamento está descrita com o minoxidil tópico, em que os cabelos em fase de repouso caem durante algumas semanas. [1, 2]
Com a finasterida, a queda própria da alopecia androgenética pode continuar nos primeiros meses, até o tratamento fazer efeito. Se a queda aumentar de forma marcada, o médico deve reavaliar o tratamento.
O Propecia 1 mg tem interações medicamentosas?
Não foram identificadas interações clinicamente relevantes com o Propecia 1 mg. A finasterida é metabolizada sobretudo pela enzima hepática CYP3A4, sem alterar a sua atividade. Medicamentos que inibem ou estimulam esta enzima podem mudar a concentração de finasterida no sangue, mas um aumento dessa concentração dificilmente tem relevância clínica.
Nos estudos de interação feitos em homens, a finasterida não alterou o efeito da antipirina, digoxina, glibenclamida, propranolol, teofilina e varfarina [3]. Ainda assim, quem toma medicamentos com margem terapêutica estreita deve ser vigiado pelo médico no início do tratamento.
Nos ensaios clínicos, doses de finasterida de 1 mg ou superiores foram usadas em simultâneo com vários grupos de medicamentos, sem sinais de interações relevantes. Não se tratou de estudos de interação específicos. Estes são os grupos avaliados:
- analgésicos e anti-inflamatórios, como paracetamol, ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios não esteroides;
- medicamentos para o coração e a tensão arterial, como inibidores da ECA, bloqueadores alfa e beta, bloqueadores dos canais de cálcio, nitratos e diuréticos;
- estatinas para o colesterol;
- anticonvulsivantes e benzodiazepinas;
- antagonistas H2, usados para reduzir a acidez do estômago, e antibióticos do grupo das quinolonas.
Mesmo sem interações relevantes conhecidas, o médico deve saber todos os medicamentos que toma ou pretende tomar, incluindo os de venda livre.
Posso comprar Propecia sem receita médica?
Não. Em Portugal, o Propecia 1 mg e os seus genéricos são medicamentos sujeitos a receita médica (MSRM), e as farmácias só os podem dispensar mediante uma prescrição válida. A receita pressupõe uma avaliação médica, que confirma se o tratamento é adequado para cada caso de queda de cabelo.
A exigência de receita tem razões clínicas. O medicamento tem contraindicações que o médico deve avaliar antes de prescrever e efeitos que exigem acompanhamento durante o tratamento. Por isso, a compra passa sempre por um médico, mesmo quando é feita online.
Na Apomeds, a compra de Propecia 1 mg funciona assim:
- A consulta é feita online com um dos médicos da Apomeds, que avalia a elegibilidade para o tratamento.
- Se o tratamento for adequado, o médico emite a receita médica. Quem já tem uma receita válida pode aviá-la diretamente.
- A farmácia prepara a encomenda e faz a entrega no endereço indicado, numa embalagem neutra.
Além da marca Propecia, a Apomeds disponibiliza também a versão genérica com finasterida, com o mesmo ingrediente ativo.
Propecia ou Finasterida genérica: qual a diferença?
O Propecia é o medicamento de marca, e os genéricos têm a mesma substância ativa, finasterida 1 mg, na mesma forma de comprimido revestido e com a mesma indicação para a alopecia androgenética. A diferença pode estar nos excipientes, que variam entre fabricantes e constam do folheto de cada medicamento. [10]
Por ter o mesmo ingrediente ativo, a versão genérica partilha o modo de ação do Propecia, um inibidor da 5-alfa-redutase, e as mesmas regras de segurança. As medidas europeias de 2025 sobre alterações de humor abrangem todos os medicamentos com finasterida 1 mg em comprimidos, de marca e genéricos. Todos passam a incluir o cartão do doente na embalagem. [9]
Na escolha entre marca e genérico, convém ter em conta o seguinte:
- Como o Propecia contém lactose, quem tem intolerância hereditária à galactose deve confirmar no folheto do genérico se este excipiente também está presente. [1]
- A finasterida também existe em comprimidos de 5 mg, uma dose destinada à hiperplasia prostática benigna, e não à queda de cabelo.
O médico ou o farmacêutico podem esclarecer diferenças de composição entre medicamentos.
Quanto tempo leva para o Propecia funcionar?
Os primeiros sinais de melhoria podem surgir aos 3 meses de toma diária, e a queda de cabelo costuma estabilizar entre os 3 e os 6 meses. A resposta visível pode demorar 6 a 12 meses, e o tratamento deve durar pelo menos um ano antes de avaliar o resultado.
O prazo depende do ritmo natural do cabelo, que cresce em média cerca de 1 cm por mês [3]. Além disso, a miniaturização dos folículos capilares só se corrige entre ciclos de crescimento, o que atrasa a resposta. Nos ensaios clínicos, a evolução foi esta:
- Aos 3 meses, a autoavaliação dos doentes e a avaliação dos investigadores já mostravam melhoria face ao placebo.
- Aos 12 meses, os investigadores registaram aumento do crescimento capilar em 65% dos pacientes tratados, contra 37% no grupo placebo.
- Aos 2 anos, essa proporção chegou aos 80%, contra 47% no placebo, e a melhoria na contagem de cabelos face ao início foi máxima nos dois primeiros anos.
A ausência de mudanças visíveis nos primeiros meses não significa, por isso, que o medicamento não esteja a fazer efeito.
O Propecia funciona?
Sim, nos homens com alopecia androgenética ligeira a moderada. Em estudos clínicos controlados com placebo, o Propecia 1 mg travou a progressão da queda de cabelo e aumentou o número de cabelos. O benefício é parcial, depende da toma diária contínua e é maior quando o tratamento começa nas fases iniciais. [2]
Outros estudos reforçam estes resultados:
- Num estudo de 10 anos com 118 homens, 86% mantiveram o benefício, com crescimento aumentado ou estável, e 14% voltaram a perder cabelo.
- Num estudo com gémeos idênticos, todos os homens tratados durante 12 meses aumentaram a contagem de cabelos, enquanto 44% do grupo placebo a viram diminuir.
- Num estudo comparativo aberto, a finasterida 1 mg produziu mais crescimento capilar do que o minoxidil tópico a 5%.
Na zona frontal média, 12 meses de tratamento aumentaram a contagem de cabelos em 5% face ao início e em 6% face ao placebo [1]. Os ensaios mostraram resposta em homens caucasianos, negros, asiáticos e hispânicos, embora com poucos participantes fora do primeiro grupo.
O medicamento causa disfunção erétil?
Pode causar, mas é pouco frequente. Nos ensaios de 12 meses, a disfunção erétil afetou 1,3% dos homens tratados com Propecia 1 mg e 0,7% dos que tomaram placebo. A diminuição do desejo sexual (1,8% contra 1,3%) e as alterações da ejaculação (1,2% contra 0,7%) seguiram o mesmo padrão [3].
Num questionário específico, os pacientes tratados relataram diferenças face ao placebo no interesse sexual, nas ereções e na perceção de problemas sexuais, mas não na satisfação global com a vida sexual.
A interrupção do tratamento por efeitos sexuais foi de 1,2%, contra 0,9% no placebo. Uma revisão sistemática estimou um caso adicional de disfunção erétil por cada 82 homens tratados, mas considerou o risco de interrupção semelhante ao do placebo. [7]
A finasterida não bloqueia as hormonas masculinas. Reduz a conversão da testosterona em DHT. Perante sinais de disfunção sexual, as indicações a seguir estão nos conselhos de segurança.
O Propecia é seguro para uso a longo prazo?
Nos estudos de longo prazo, o Propecia 1 mg registou poucos efeitos adversos, e os efeitos sexuais tornaram-se menos frequentes com o tempo. [2] Após a comercialização, surgiram notificações de efeitos de frequência desconhecida, incluindo alguns que persistem depois de parar o tratamento, o que exige vigilância médica regular.
Nos estudos, a finasterida não alterou os níveis de cortisol, as hormonas da tiroide, o colesterol, os triglicéridos nem a densidade mineral óssea.
Os dados de segurança têm, ainda assim, limitações. Uma meta-análise de 2015 considerou a informação sobre efeitos adversos nos ensaios limitada, de baixa qualidade e com enviesamento sistemático.
Os relatos de sintomas sexuais e psicológicos que persistem depois de parar deram origem à expressão "síndrome pós-finasterida", e a verdadeira incidência continua desconhecida.

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