Efeitos secundários do Viagra
O Viagra é um dos medicamentos mais vendidos em Portugal para a disfunção erétil . Desde 2025, a Autoridade Nacional de Medicamentos e Produtos de Saúde (Infarmed) permite a sua venda sem receita médica nas farmácias, na dose de 50 mg. Uma maior facilidade de acesso à informação, inclusive nas redes sociais, torna mais importante conhecer seus efeitos colaterais. O princípio activo, a sildenafila, é geralmente bem tolerado, e a maioria dos sintomas é leve e passageira. Ainda assim, há riscos que merecem atenção, especialmente com uso sem orientação médica.
Quais os efeitos secundários mais comuns do Viagra?
A dor de cabeça é o efeito colateral mais frequentemente associado ao uso do Viagra. Na maioria dos casos, este e outros sintomas são ligeiros e passageiros. Surgem sobretudo nas primeiras vezes ou quando a dose não é a mais adequada para aquele utilizador. [1, 2]
Os efeitos secundários mais comuns incluem:
- Dor de cabeça.
- Rubor facial (vermelhidão da pele).
- Congestão nasal (nariz entupido).
- Indigestão ou dispepsia. [4]
- Tonturas.
- Alterações visuais ligeiras, como visão turva ou alterações na perceção das cores.
- Náuseas.
- Afrontamentos.
Estes sintomas integram o perfil de segurança conhecido da sildenafila e estão descritos em fontes regulatórias oficiais. [3] Quando o medicamento é tomado na dose certa e com orientação médica, a maioria dos efeitos colaterais tende a desaparecer sem necessidade de tratamento. A sobredosagem, pelo contrário, aumenta o risco de reações mais intensas.
A combinação do Viagra com drogas recreativas, como metanfetaminas ou «poppers» (nitritos de amilo), está associada a efeitos adversos graves, incluindo dores de cabeça intensas e eventos cardiovasculares potencialmente perigosos. Estudos indicam ainda que este tipo de uso pode favorecer comportamentos sexuais de risco e aumentar a probabilidade de transmissão de infecções sexualmente transmissíveis, que é o caso do VIH/SIDA.
Efeitos secundários leves do Viagra
Para além dos sintomas mais comuns, há outros efeitos colaterais que podem surgir com menor frequência. Não são graves, mas merecem atenção, especialmente se persistirem ou se agravarem. Entre os mais relatados em estudos clínicos encontram-se:
- Tonturas.
- Náuseas.
- Dor muscular.
- Erupções cutâneas.
- Sensibilidade à luz. [5]
Estes efeitos colaterais do Viagra fazem parte do perfil de segurança da sildenafila e tendem a ser mais prováveis quando a dose é excessiva ou há interação com outros medicamentos. [4] A maioria desaparece por si só, mas se persistir, vale a pena falar com um profissional de saúde.
Portanto, tomar Viagra exatamente conforme o tratamento médico prescrito continua a ser a forma mais simples de os evitar. A compra de Viagra online sem orientação adequada pode aumentar o risco de efeitos secundários, sobretudo em casos de dose incorreta ou contraindicações não avaliadas.
Efeitos colaterais secundários mais graves do Viagra
Alguns efeitos colaterais graves do Viagra são raros, mas suficientemente sérios para exigirem atenção médica imediata. Ocorrem sobretudo quando o medicamento para ereção masculina é usado sem prescrição, em doses elevadas ou combinado com outras substâncias.
Os mais documentados em estudos clínicos e revisões científicas sobre o sildenafil incluem:
- Priapismo (ereção prolongada e dolorosa).
- Perda súbita de visão.
- Perda de audição.
- Dor no peito.
- Queda perigosa da pressão arterial.
Sobre a visão, importa saber que efeitos adversos visuais ocorrem em 3 a 11% das pessoas utilizadoras. Na maioria, são transitórios e reversíveis. Ainda assim, foram documentados casos mais graves, como neuropatia óptica isquémica, oclusão da veia central da retina e glaucoma agudo de ângulo fechado associados ao uso de sildenafila. [9]
No que diz respeito à audição, investigações recentes apontam para um risco de perda auditiva súbita sensorioneural associada à utilização do medicamento, sendo sugeridos possíveis mecanismos como alterações no fluxo sanguíneo coclear e efeitos ototóxicos. [6]
O caso mais sério, porém, é a combinação do Viagra com remédios que contêm nitratos, habitualmente usados em doenças cardíacas. Esta associação pode causar uma queda severa da pressão arterial, AVC, enfarte do miocárdio e, em casos extremos, a morte. [10] Por isso, tomar Viagra sem receita médica é desaconselhado, especialmente em homens com historial cardíaco conhecido.
Viagra e efeitos secundários raros
A incidência é baixa, mas há riscos associados ao uso da sildenafila que merecem ser conhecidos. Estudos científicos identificaram uma relação entre o uso prolongado deste medicamento e um risco acrescido de melanoma. [6] Ainda, danos no fígado e alterações no fluxo de sangue na retina com potenciais consequências para a visão a longo prazo.
Em pessoas mais jovens sem diagnóstico de disfunção erétil, foi também documentada dependência psicológica associada ao uso recreativo.
Entre os efeitos secundários raros registados destacam-se:
- Hepatotoxicidade (danos no fígado).
- Complicações oculares graves, incluindo atrofia óptica e perda de visão.
- Risco de melanoma: Embora alguns estudos iniciais tenham sugerido uma relação entre o sildenafil e o melanoma, evidências clínicas mais recentes e em grande escala sugerem que se trata provavelmente de uma correlação relacionada com o estilo de vida, e não de uma relação causal direta.
- Dependência psicológica em jovens sem disfunção erétil diagnosticada.
São ainda reportados, com menor frequência, casos de vómitos, erupção cutânea, vertigens, zumbido nos ouvidos, dores musculares, sonolência, tensão arterial elevada ou baixa, desmaio, AVC, hemorragia nasal e perda súbita de audição.
Com base na experiência pós-comercialização da sildenafila, foram também comunicados casos de ataque cardíaco, convulsões, reações cutâneas graves e morte súbita. Os efeitos colaterais, neste caso, está, na maioria, em homens com problemas cardíacos pré-existentes.
Ainda não é possível estabelecer uma relação directa com o medicamento, mas estes casos reforçam a necessidade de acompanhamento médico e de não usar o remédio sem orientação de saúde adequada.
O Viagra causa efeitos colaterais secundários a longo prazo?
Na maioria dos casos, o remédio não causa efeitos permanentes quando utilizado correctamente e por tempo limitado. O risco de complicações duradouras aumenta sobretudo em situações de automedicação, dose incorrecta ou uso sem avaliação médica. [1]
A excepção mais relevante é o priapismo. Trata-se de uma erecção que persiste mais de quatro horas sem estímulo sexual. Exige atenção médica imediata, pois pode causar lesão tecidular irreversível e impotência permanente.
Os principais factores de risco a considerar são:
- Uso incorrecto: tomar Sildenafil sem prescrição ou com contraindicações aumenta o risco de reacções adversas e complicações cardiovasculares.
- Dose incorrecta: exceder a dose indicada potencia os efeitos indesejados e a exposição desnecessária ao medicamento.
- Priapismo: problema que requer assistência médica urgente para evitar danos permanentes.
- Risco cardiovascular: em homens com doença cardíaca ou a tomar nitratos, o uso inadequado pode provocar uma queda perigosa da pressão arterial.
Usado da forma correcta, o citrato de sildenafila é considerado seguro para a maioria dos homens. A segurança depende, acima de tudo, de prescrição adequada, dose correcta e respeito pelas contra-indicações.
Em caso de uso prolongado ou historial de problemas cardíacos, a avaliação médica regular é a melhor forma de minimizar riscos. [1]
Quem tem maior risco de efeitos secundários com o Viagra?
Os efeitos colaterais do Viagra não afectam toda a gente da mesma forma. Há grupos em que o uso da sildenafila exige cuidados redobrados, porque o medicamento pode provocar reacções mais intensas, sobretudo queda da pressão arterial, tonturas e mal-estar geral.
Os grupos com maior risco são:
- Idosos.
- Pessoas com doenças cardíacas.
- Quem tem pressão arterial baixa.
- Pacientes a tomar nitratos ou outros medicamentos com potencial de interacção.
- Homens com insuficiência hepática ou renal grave.
Nestes casos, o médico pode ajustar a dose, propor tratamentos alternativos para estimular a ereção ou, em algumas situações, como em doentes com hipertensão pulmonar, ponderar o uso de sildenafil num contexto clínico diferente. O acompanhamento médico é sempre o melhor caminho para garantir a saúde e a segurança do paciente.
Como reduzir os efeitos secundários do Viagra
A melhor forma de minimizar os efeitos colaterais é também a mais simples: seguir a prescrição médica e respeitar a dose indicada. A maioria dos problemas associados ao uso deste remédio resulta de automedicação, dose excessiva ou combinação com outros medicamentos sem avaliação profissional.
Para um uso mais seguro dos comprimidos de sildenafila:
- Dose correcta: nunca exceder a dose prescrita. Quantidades mais altas não aumentam a eficácia, mas aumentam o risco de problema.
- Evitar álcool em excesso: a ingestão de bebidas alcoólicas próxima da toma pode interferir na absorção da sildenafila e potenciar efeitos indesejados. [8]
- Não misturar medicamentos sem orientação: alguns remédios, em especial os nitratos, têm contraindicações absolutas com o Viagra.
- Respeitar as contra-indicações: conhecer o próprio historial clínico é essencial para um tratamento seguro.
- Seguir a prescrição médica: tomar os comprimidos exactamente conforme indicado, sem ajustes por conta própria.
Usado correctamente e com acompanhamento médico, o Viagra, assim como outros remédios para disfunção erétil, tende a ser seguro e eficaz. A adesão ao tratamento prescrito é a melhor garantia de reduzir riscos e evitar dificuldades desnecessárias.
Alternativas ao Viagra para disfunção erétil
O Viagra não é o único remédio disponível para tratar a disfunção erétil. Existem outros inibidores da PDE5 com eficácia clinicamente comprovada, cada um com um mecanismo de ação ligeiramente diferente em termos de velocidade de início, duração do efeito e perfil de tolerabilidade.
- Tadalafila (Cialis): é a alternativa com efeito mais prolongado (pode durar até 36 horas), o que favorece maior espontaneidade e elimina a necessidade de planear o momento exacto da toma. Estudos comparativos indicam eficácia semelhante à da sildenafila, com boa tolerabilidade e elevada satisfação dos pacientes. A escolha entre Viagra ou Cialis deve ter em conta fatores como a duração do efeito, a tolerabilidade e o risco de reações adversas.
- Vardenafila (Levitra): tem um início de acção semelhante ao Viagra, mas duração mais curta do que a tadalafila. É uma opção válida para homens que procuram um perfil farmacológico diferente dentro da mesma classe de remédios para ereção.
- Avanafil (Spedra): distingue-se pela acção rápida, sendo uma boa alternativa nos casos em que se pretende menor tempo de espera. Os efeitos colaterais mais frequentes são dor de cabeça, rubor e congestão nasal. A sua utilização no tratamento da disfunção erétil em homens adultos está confirmada pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA).
A escolha entre estas opções depende do objectivo clínico, da duração desejada da ereção e das contraindicações de cada paciente. Em geral, a tadalafila é preferida quando se pretende maior duração, enquanto o avanafil é frequentemente indicado como alternativa de acção mais rápida.
Em qualquer caso, a decisão deve ser tomada com um profissional de saúde, que pode avaliar o problema de forma individualizada e indicar o tratamento mais adequado.
Além da tadalafila e substâncias similares, mudanças no estilo de vida são elementos essenciais para aumentar a potência.
A perda de peso, o exercício físico regular, o controlo da diabetes, o abandono do tabaco e a redução do álcool, podem igualmente contribuir para melhorar a função erétil e reduzir a necessidade de medicação, ainda que não substituam os remédios em todos os casos.
FAQ
Quando o prazer vem acompanhado de sensações desagradáveis, compreender os possíveis efeitos secundários do Viagra pode ajudá-lo a manter-se informado e a fazer escolhas mais seguras.
Quanto tempo o Viagra permanece no organismo?
Os efeitos do medicamento duram normalmente entre quatro a seis horas. No entanto, o metabolito ativo pode ser detetado durante um período mais longo, dependendo da idade e do metabolismo. Note-se que o facto de o medicamento «permanecer no organismo» é diferente da duração da ereção.
Como os efeitos secundários do Viagra se comparam com os da sua versão genérica?
Os efeitos secundários são essencialmente os mesmos. A versão genérica contém o mesmo princípio activo, o sildenafil, na mesma concentração e com o mesmo perfil de segurança. As diferenças entre ambos residem sobretudo no preço e na marca, não na composição nem na tolerabilidade.
Como usar o Viagra para obter os melhores resultados
O Viagra deve ser tomado cerca de 30 a 60 minutos antes da actividade sexual, com ou sem alimentos, respeitando a dose prescrita. Evitar álcool em excesso e refeições muito gordurosas ajuda a optimizar a absorção do sildenafi e a garantir melhores resultados.
O Viagra mantém a ereção depois da ejaculação?
Não. O remédio facilita a ereção em resposta ao estímulo sexual, mas não a mantém após a ejaculação. Actua ao aumentar o fluxo de sangue no corpo cavernoso, mas o processo fisiológico normal após a ejaculação, incluindo o período refractário, não é alterado pela sildenafila.
Beber álcool aumenta a probabilidade de efeitos secundários?
Sim. O consumo excessivo de álcool combinado com o Viagra pode potenciar efeitos como tonturas, queda da pressão arterial e dores de cabeça. O álcool interfere ainda na absorção da sildenafila, podendo reduzir a eficácia do medicamento e aumentar o risco de reacções adversas.
Referências:
- European Medicines Agency. Viagra: resumo das características do medicamento. Londres: European Medicines Agency; 2008 [atualizado posteriormente]. http://www.ema.europa.eu
- European Medicines Agency. Viagra (sildenafil): resumo do EPAR destinado ao público. London: European Medicines Agency; 2016. Disponível em: https://ema.europa.eu
- European Medicines Agency. Viagra (sildenafil). European public assessment report (EPAR). London: European Medicines Agency; [cited 2026 Apr 13]. https://ema.europa.eu/en/medicines/human/EPAR/viagra
- Azevedo C. Abuso de fármacos para a ereção é “extremamente perigoso”. Ciência 2.0. 2013 Jun 21. https://www.up.pt/arquivo/web/ciencia20.up.pt/indexa860.html?option=com_content&view=article&Itemid=&id=666
- Índice.eu. Sildenafil: informação geral. Índice – Toda a Saúde. [cited 2026 Apr 13]. Disponível em: https://www.indice.eu/pt/medicamentos/DCI/sildenafil/informacao-geral
- Barreto MASC, Bahmad F. Phosphodiesterase Type 5 Inhibitors and sudden sensorineural hearing loss. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology. 2013;79(6):727-733. doi:10.5935/1808-8694.20130133
- Rodrigues RODS, Silva IS, Malacarne P, Barros ND. O uso de citrato de sildenafil como estimulante sexual e os efeitos adversos / The use of sildenafil citrate as a sexual stimulator and the adverse effects. Brazilian Journal of Development. 2021;7(4). doi:10.34117/bjdv7n4-580
- Pereira AO. Uso irracional do medicamento citrato de sildenafila (Viagra). Brasília: Faculdade Anhanguera de Brasília; 2019. https://repositorio.pgsscogna.com.br/bitstream/123456789/33541/1/ALDENIR_OLIVEIRA_ATIVIDADE1.pdf
- Ausó E, Gómez-Vicente V, Esquiva G. Visual Side Effects Linked to Sildenafil Consumption: An Update. Biomedicines. 2021;9(3):291. Published 2021 Mar 12. doi:10.3390/biomedicines9030291
- Trolle Lagerros Y, Grotta A, Freyland S, Grannas D, Andersson DP. Risk of Death in Patients With Coronary Artery Disease Taking Nitrates and Phosphodiesterase-5 Inhibitors. J Am Coll Cardiol. 2024;83(3):417-426. doi:10.1016/j.jacc.2023.10.041